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O que desaprendi na Singularity University

26 de junho de 2018 por Cláudia Miranda Gonçalves

Campus da NASA, Cupertino, Califórnia. Se o endereço já inspira futuro, imagina o seminário que participei, em março desde ano, na Singularity University (SU). A SU se apresenta como uma escola que prepara líderes globais e organizações para o futuro, mas ela é muito mais do que isso. É uma rede de pessoas que estão empenhadas em serem relevantes. Não estamos falando só em negócios com propósito, vontade de mudar o mundo. Estamos falando em transformações exponenciais, em soluções para os problemas mundiais urgentes e desafiadores.

O meu otimismo e a minha inquietação em torno do futuro me fizeram voar até lá. E valeu a pena. Confirmei algumas certezas e reaprendi algumas desconfianças. Entre as certezas reafirmadas, posso citar a necessidade de nos planejarmos em torno dos nossos propósitos (Se eu não acreditasse que só há futuro para negócios conectados com seus propósitos, não teria uma empresa com o nome Ikigai.) Outra certeza, confirmada pela Singularity, é a de que primeiro temos que mudar a forma como pensamos, para depois mudar o que estamos fazendo. Essa é uma bandeira que já carrego comigo há alguns anos e que já fez muitas empresas descobrirem o seu caminho rumo à inovação. Mas, o objetivo deste texto é falar principalmente do que desaprendi com a Singularity. Então, vamos lá:

Mark Bonchek, um dos tutores, conversou conosco sobre as diferenças e coincidências entre o crescimento incremental e o crescimento exponencial.

O primeiro é linear e busca um objetivo realista, cresce padronizando, tentando errar menos, seguindo um roteiro bem planejado. O segundo é menos previsível e persegue objetivos ambiciosos e nem sempre cristalinos, aproveita os imprevistos para alavancar o seu crescimento e personaliza as soluções. O crescimento incremental tem um ritmo confortável e chega onde se quer chegar. Já o crescimento exponencial surpreende. Começa lento, toma o seu rumo, mas, de repente, cria uma curva de crescimento que só a inovação permite traçar. Ser exponencial é um desafio e tanto, admito, mas Bonchek nos deixou algumas dicas bem sintéticas. Abro aspas:

Fecho as aspas e lembro que o pensamento exponencial trabalha entre a solução e o problema de forma ativa, criativa e, também, reativa.  Você conhece e usa no seu dia a dia várias empresas que já experimentaram o crescimento exponencial. Só para ilustrar algumas delas: Amazon, Netflix, Waze e Tesla.

Para terminar, gostaria de voltar ao assunto dos objetivos. Sempre corremos o risco de pensar de forma incremental e tratar os objetivos como meta a ser alcançada. Se chegamos lá, comemoramos e ponto final.  Será que é isso mesmo que precisamos?  É assim que se inova? É desta forma que sua empresa tem crescido?

Não pense que estou apregoando o fim dos objetivos, planejamentos e metas. Longe de mim. O que estou dizendo é que precisamos nos arriscar mais, desaprendendo a controlar e aprendendo a empoderar. Isso me faz lembrar de um conceito da filosofia Ikigiai, o de se tornar antifrágil. Ser antifrágil é ser mais que resiliente, é ganhar força nos reverses. Quando controlamos, queremos evitar ou eliminar o erro. Quando somos antifrágeis somos como a Hidra: se cortarmos uma cabeça, duas outras vão nascer. Ou seja, podemos e devemos nos fortalecer na adversidade, crescer do erro ou do imprevisível.

E por falar em imprevisibilidade, talvez eu já soubesse de tudo isso ao entrar naquele Campus, mas fui até lá para  me permitir desaprender para reaprender. E isso fez uma diferença exponencial.

Quer saber mais sobre o que desaprendi na Singularidade?  Se sim, deixe o seu comentário abaixo ou entre em contato comigo pelo claudia@weholon.com.br Se você prefere que eu escreva sobre outro assunto, deixe aqui a sua sugestão.

Texto originalmente publicado no Blog Lentes de Decisão no Estadão em 26/06/2018

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