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Hackeando a Cultura para Fortalecer a Liderança Feminina

11 de março de 2025 por Andréa Nery

Certa vez, em uma organização onde atuei, uma questão me inquietava: por que tínhamos tão poucas mulheres nas instâncias de decisão? As lideranças femininas estavam ali, mas muitas vezes suas vozes eram abafadas, suas presenças subestimadas. Diante disso, nós, um grupo de mulheres líderes da área de Finanças, decidimos agir, queríamos buscar equilíbrio nas opiniões dos Comitês e promover mais confiança na liderança feminina ascendente da empresa.

Sabíamos que não poderíamos mudar toda a estrutura da noite para o dia, mas poderíamos iniciar pequenos movimentos que gerassem impacto real. Inspiradas pelo conceito de hacking de cultura, entendemos que pequenas intervenções bem planejadas poderiam provocar mudanças sistêmicas duradouras.

Como podemos criar espaços seguros para o fortalecimento da liderança feminina?

A primeira iniciativa foi criar um espaço de confiança e troca. Organizamos encontros regulares, inspirados nos círculos Lean In, onde compartilhávamos experiências, discutíamos desafios e aprendíamos umas com as outras. Os encontros incluíam almoços quinzenais e reuniões mensais, espaços informais, mas profundamente transformadores. As ações eram simples, como leitura de textos provocativos, promoção de colaboração, troca de experiências, mas foram praticadas com consistência, mesmo diante de desafios.

No início, encontramos resistência. Mesmo com um sponsor apoiando a iniciativa, havia receios sobre o impacto que poderíamos causar. Surgiram preocupações sobre o equilíbrio entre homens e mulheres nos debates e até sobre a possibilidade de polarização. Esse tipo de obstáculo poderia ter nos desencorajado, mas seguimos firmes. Sabíamos que apenas o tempo, o propósito e a resiliência seriam capazes de começar a quebrar essas barreiras e provocar mudanças sem confronto direto.

Aos poucos, percebemos que esses momentos estavam mudando a dinâmica das interações no ambiente de trabalho. Começamos a nos sentir mais confiantes para falar em reuniões importantes, para defender nossas ideias e apoiar umas às outras. Criamos um compromisso de observação ativa nos comitês executivos, analisando os sinais não-verbais e a qualidade da participação das mulheres nesses espaços. O objetivo era fornecer feedback para que pudéssemos melhorar nossa presença e influência.

O que acontece quando usamos pequenos hacks para provocar mudanças?

Um bom hack é aquele que não bate de frente com a estrutura, mas a tangencia de forma inteligente. Em vez de exigir mudanças drásticas, aproveitamos o que já existia e usamos isso a nosso favor. Por exemplo, se já almoçávamos juntas, por que não usar esse momento para fortalecer estratégias? Se já participávamos de reuniões, por que não focar em tornar nossa voz mais presente?

Com o tempo, a estratégia funcionou. O compromisso que assumimos no grupo começou a se refletir na qualidade das nossas interações nas reuniões de diretoria. Pequenos ajustes na forma como nos posicionávamos geraram questionamentos e mudanças de percepção. Sim, houve desconforto, mas usamos isso como parte do processo de evolução.

Quais são os impactos de pequenas ações intencionais ao longo do tempo?

Hoje, ao olhar para trás, vejo o impacto que esse movimento gerou. Das mulheres que participaram do grupo, algumas seguiram crescendo dentro da empresa, outras alcançaram posições de destaque em outros setores, algumas migraram para novas indústrias e três delas tornoram-se C-Level. O que nos uniu foi a coragem de enfrentar um sistema e encontrar maneiras de hackeá-lo.

A experiência mostrou que mudar a cultura organizacional não é um processo imediato, mas é possível. Pequenas ações intencionais, repetidas ao longo do tempo, geram transformações estruturais. A liderança feminina não se fortalece apenas com discursos, mas com espaços reais de trocas, suporte e presença.

E, acima de tudo, aprendemos que não precisamos esperar pela permissão de um sistema para mudá-lo. Podemos começar agora, hackeando a cultura e criando os espaços que desejamos ocupar.

E você, onde pode hackear?

Desafiar estruturas desiguais exige coragem, intencionalidade e consistência. Onde você pode atuar para impulsionar a equidade de gênero e a paridade salarial no seu contexto? Pequenos hacks podem ter grandes impactos: desde garantir que mulheres tenham voz em discussões estratégicas até promover transparência salarial. O que você pode fazer hoje para iniciar essa transformação?


Originalmente publicado no Blog Lentes de Decisão do Estadão Digital em 11/03/2025

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