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Fim

30 de dezembro de 2024 por Andréa Nery

Uma manhã linda de sol. Academia, banho, café da manhã. A rotina se desenrolando como em tantis outros dias, até que o celular toca. Do outro lado, uma voz agitada traz a notícia que muda absolutamente tudo o que viria pela frente.

Dentro de mim, razão e emoção começam a se alternar enquanto tento compreender o que a vida está pedindo de mim. O inesperado exige ação consciente, foco no necessário, e uma atenção urgente ao presente. Em questão de horas, uma sucessão de fatos marca o fim de uma fase da minha vida. E com ele, inicia-se a busca por um novo sentido, um novo ritmo, uma reconexão.

Os fins sempre chegam. Sem aviso, outros lentamente, deixando sinais. Decididos por nós; outros, simplesmente acontecem. Alguns trazem alegria, outros, tristeza. Mas, os fins chegam, trazendo consigo os começos. Ambos marcam os portais que atravessamos ao longo da vida.

E a vida é assim: temporária, mas intensa, se nos permitirmos vivê-la plenamente. Ela nos convida a perceber o fluxo constante dos ciclos, a ser receptivos ao que surge, a aprender com o que se vai.

Com a chegada de mais um ano, somos naturalmente levados a refletir sobre as histórias que vivemos. O que delas queremos levar adiante? O que precisamos deixar ir? Apesar de ser um exercício possível a qualquer momento, o fim do ano carrega consigo uma energia poderosa de renovação, esperança e sonhos.

O último ano me ensinou, de forma clara e insistente, que não estou no controle. E, ainda assim, mostrou que posso decidir o que fazer com o que acontece. Posso escolher viver cada momento com atenção, intensidade e propósito. Descobri que a vida se revela nos detalhes mais simples: uma risada espontânea entre amigas, um abraço demorado de alguém especial, o conforto de um silêncio compartilhado em uma situação difícil. São nesses pequenos momentos que encontramos o começo, mesmo quando há um fim.

Os fins nos ensinam a soltar, a abrir espaço para o novo. Exigem de nós coragem: coragem para aceitar que não controlamos tudo, mas que podemos escolher como reagir. A maneira como acolhemos nossas emoções e transformamos a dor em aprendizado é o que dá forma à nossa jornada.

Para isso, a integralidade e a humildade foram fundamentais para mim. Ser inteiro significou aceitar tanto o caos quanto a ordem. Significou estar presente com tudo o que sou — vulnerável e resiliente. Humildade me lembrou que não sou dona do tempo, mas aprendiz dele. O fluxo da vida simplismente acontece, e podemos navegar seus ciclos com autenticidade e compromisso.

Então, como escolher viver a vida com a intensidade que ela pede? Talvez seja cultivando a coragem de estar presente, de se conectar, de dizer “sim” ao que verdadeiramente importa. Talvez esteja em reconhecer que cada dia é uma nova chance de agir com intenção, amorosidade e respeito pelo que somos e pelo que a vida nos oferece.

Tudo passa, tudo sempre passará. Essa certeza nos convida à esperança — não uma esperança ingênua, mas uma esperança ativa, que nos move a cuidar, a criar, a fazer escolhas mais conscientes, a viver intensamente cada momento.

Hoje, te convido a refletir: o que você escolhe começar neste novo ciclo? Que pequenas ações podem trazer mais sentido ao seu dia? Quais relações merecem a sua atenção e o seu cuidado?

Aceitar a transitoriedade nos revela a vida como um presente. Nesse movimento de passagem, encontramos força para seguir, com coração aberto e escolhas conscientes que moldam nosso caminho.


  • Originalmente publicado no Blog Lentes de Decisão do Estadão Digital em 30/12/2024
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