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O poder de mover sem empurrar

16 de outubro de 2025 por Andréa Nery

Durante muito tempo, eu torcia o nariz para a palavra influência. Parecia algo um pouco… suado demais. Manipulador, talvez. Aquela coisa de convencer alguém com tanto entusiasmo que a pessoa nem percebeu que já disse sim. Demorou para eu entender que a influência não é o problema — o problema é o uso que fazemos dela. Quando vem sem intenção, vira ruído. Quando nasce do propósito, vira movimento.

A verdade é que vivemos cercados por exemplos de influência o tempo todo. Basta abrir uma rede social e lá estão eles — os “influencers”, transformando likes em poder de compra e palavras em capital simbólico. Às vezes, olho para eles com curiosidade genuína: o que faz as pessoas acreditarem tanto? Talvez seja a consistência, o tom de conversa íntima, o olhar direto para a câmera que diz “eu te entendo”. É influência, sim — só que com outro sotaque.

E isso me faz pensar em como nós, líderes, também temos nossa audiência. Não com milhões de seguidores, mas com pessoas reais, à nossa volta, que observam o que dizemos e o que não dizemos. Que se inspiram, às vezes, mais pelo que fazemos em silêncio do que pelos discursos prontos de reunião.

Recentemente, numa mentoria, uma líder me contou que percebeu que grande parte de sua carreira tinha acontecido “por acaso”. As coisas simplesmente iam acontecendo — convites, promoções, projetos — e ela ia dizendo sim. Só agora, num momento de mais consciência, começou a se perguntar: “Mas o que eu realmente quero?” Estamos trabalhando juntas para resgatar essa intencionalidade — entender as crenças por trás dos movimentos automáticos e mapear pessoas que podem apoiar o caminho que ela, de fato, escolheu. É bonito ver quando o poder deixa de ser algo que empurra e passa a ser algo que orienta.

Em outro processo, acompanhei um líder com enorme capacidade de mobilizar pessoas — daqueles que abrem a boca e a sala inteira se inclina. Mas ele percebeu que usava essa força para atingir metas, não para inspirar propósito.

Quando a conversa mudou para “o que eu quero provocar no outro além de resultado?”, o jogo virou. Ele começou a usar sua influência para mover a equipe em torno de algo maior: desenvolvimento, consciência, impacto. E foi quase mágico — o clima mudou, a energia da área se transformou. Ele descobriu que poder e propósito não são inimigos; são, na verdade, cúmplices.

Pesquisas de grandes consultorias internacionais (*) mostram que mulheres tendem a exercer influência de maneira mais colaborativa, empática e inspiracional — qualidades poderosas, especialmente em tempos de tanta complexidade. Já os homens costumam ser mais diretos e assertivos, mas às vezes esquecem o para quê de tanto fazer.

O equilíbrio entre esses dois polos — o feminino e o masculino da influência — é o que cria líderes completos: com escuta e clareza, com emoção e estratégia, com alma e direção.

Eu mesma precisei quebrar umas boas crenças no caminho. Durante muito tempo achei que influenciar era tirar do outro a chance de pensar. Hoje, vejo que é justamente o contrário: é acender luzes para que cada um veja com mais nitidez o seu próprio caminho.

E, sim, ainda me pego sorrindo quando penso que “influenciar” e “fluir” vêm da mesma raiz. Talvez porque a verdadeira influência seja isso: um fluxo entre intenções, ideias e corações.

No fim das contas, influenciar com propósito não é sobre mover multidões. É sobre mover consciências. É transformar apatia em ação, ruído em clareza, discurso em presença.

E quando essa força vem de um lugar verdadeiro — do autoconhecimento, da autenticidade, da coerência — ela deixa de ser “poder” e passa a ser convite. Um convite para que o outro também aja, questione e se transforme.

Afinal… em que direção a sua influência tem feito o mundo se mover?


https://hbr.org/2025/05/how-women-in-leadership-can-shape-how-others-see-them?language=pt

https://www.mckinsey.com/featured-insights/diversity-and-inclusion/women-in-the-workplace?utm_source=chatgpt.com


Originalmente publicado no Blog Lentes de Decisão do Estadão Digital em 16/10/2025

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